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Velocidade pra valer

Os brasileiros (finalmente!) podem a acessar a internet a velocidades realmente rápidas. Mas será que os (caros) pacotes aqui vendidos compensam? E dá para acelerar sua conexão - seria ela ultra ou não?

Bem devagarzinho, o brasileiro começa a ter acesso a serviços de banda – realmente – larga que já são comuns há um bom tempo nos países desenvolvidos. E aqui não estamos falando da banda larga tal como ela é considerada pelos órgãos oficiais e institutos de pesquisa, mas de velocidades acima dos 8 Mbps (megabits por segundo).

Para efeito de comparação, de acordo com o estudo "Barômetro da internet" da empresa norte-americana Cisco, banda larga é uma conexão constante (always on) com velocidade igual ou superior a meros 128 Kbps, tanto para upload como para download. Com essa taxa, leva-se entre quatro e cinco minutos para baixar uma simples música de 4 MB. Ou seja, bem longe de ser ultra veloz.

De toda forma, a pesquisa mostra que a penetração total da banda larga nos domicílios brasileiros é de meros 16% (números do final de 2008). Dessa parcela, urna porção ínfima possui acessos com velocidades iguais ou superiores a 1 Mbps. Portanto, falar em banda acima dos 8 Mbps no Brasil ainda é falar de banda ultralarga. Na Europa, a penetração da banda larga é de 22% (na Dinamarca chega a 38%). A velocidade é de 2 Mbps para 74,8% das linhas, de 2 a 10 Mbps para 62% e de mais de 10 Mbps para 12,8%. Quase 2% dos assinantes têm pacotes com 100 Mbps ou mais. No Japão, há links com velocidade de 1 Gbps (gigabit por segundo), o suficiente para baixar mais de 1.500 faixas em MP3 de cinco minutos ou cerca de 11 filmes em coisa de um minuto.

Voltando à realidade tapuia: vale mesmo a pena pagar (caro) por um plano de banda ultralarga? Será que um link de 12 Mbps é tão mais rápido do que as opções mais lentas e baratas em qualquer situação? Para descobrir isso, testamos serviços ainda mais velozes – o Xtreme, da Telefônica, com 30 Mbps, e o Virtua 5G, da Net, com 20 Mbps e 60 Mbps.

Speedy Xtreme

Em fevereiro, a espanhola Telefônica anunciou a disponibilidade do serviço Xtreme em Sao Paulo. Em parceria com a TVA, o pacote oferece conexão à internet de até 30 Mbps, TV a cabo com "locadora virtual" (compra de filmes on demand), canais abertos e fechados em alta definição, recursos de interatividade e voz sem limite em ligações locais (fixo-fixo) na rede da operadora. No entanto, o serviço, além de caro (preços a partir de R$ 245,50 para o serviço de 8 Mbps), está disponível somente para 370 mil domicílios em 25 bairros da capital paulista.

A banda ultralarga da Telefônica foi ava¬liada em uma visita à residência do arquiteto Raimundo Oliveira. Há mais de urn ano, ele é urna espécie de piloto de testes do sistema. Além do acesso de 30 Mbps por fibra óptica, ele também possui o sistema de televisão por IP, fornecido pela TVA. Embora seja demorado para inicializar, funciona bem. A imagem tem a mesma qualidade da TV a cabo convencional, com resolução de 420 linhas – por isso, deixa a desejar em TVs de LCD ou mesmo de plasma.

Durante os testes, as taxas de download do Speedy foram compatíveis com a velocidade oferecida. O streaming de vídeos em HD ocor¬reu sem problemas, assim como a navegação em pesados sites em flash. No entanto, o desem¬penho depende muito do horário. "Às 10h da manhã, no horário do almoço e entre 16h e 18h, fica como se fosse de 2 Mbps", explica Oliveira, que prefere elogiar a estabilidade do serviço. "Em mais de um ano, fiquei apenas um dia sem o serviço".

Tudo isso pode ser atribuído à estrutura da rede. Inteiramente nova, ela está sendo construída toda em fibra óptica. É um processo caro e demorado, mas que deixa a operadora pronta para audaciosos saltos no futuro. "É uma rede feita para aguentar até 2,5 Gbps", afirma Ari Falarini, diretor de planejamento de rede da empresa. Além disso, a fibra óptica é mais resistente à oxidação e imune a interferências eletromagnéticas. "Não creio que a concorrên¬cia entregue mais de 150 Mbps na casa de cada assinante, sem que haja queda de velocidade nos horários de pico", desafia o diretor.

Infelizmente, assim como a Net, a Telefônica não tem pressa para ampliar a infraestrutura, ainda limitada a poucos e ricos bairros paulis¬tanos. O acesso a 30 Mbps é para um público pequeno, que demanda download pesado e contínuo e está disposto a pagar um bom dinheiro por isso. "De 10% a 15% dos usuários consomem até 70% da banda", diz Falarini.

Virtua 5G

Enquanto isso, a concorrente NET, que já ofere¬cia pacotes de até 12 Mbps desde julho do ano passado, começou os testes com acessos de 20 Mbps a 60 Mbps. Testamos o produto da opera¬dora Net em dois locais: no bairro de Perdizes, Zona Oeste de São Paulo, e na Vila Mariana, zona Sul. Foram executados testes de medição de velocidade, navegação (principalmente em sites de streaming, que precisam de muita banda) e download. Os números são bons, mas não espetaculares.

No Virtua 20, a "incrível" taxa de download de 2 MB/s (megabytes por segundo) só foi atin¬gida ao baixar arquivos de um site específico para testes da própria Net. Fora desse ambiente controlado, a velocidade de download varia entre 300 a 900 Kbps, o que, em tese, represen¬ta urna conexão de 3 Mbps a 9 Mbps.

O serviço de 60 Mbps apresenta números melhores, mas que não chegam a impressionar o verdadeiro hard user. O download da versão Beta do Windows 7, com 3,15 GB, levou apenas meia hora. As taxas de download variaram, mas foi possível obter velocidades acima de 1,5 MB/s. Vale destacar que essa taxa corresponde ao que uma conexão de 12 Mbps é obrigada a fornecer. No entanto, não deixa de ser um número espantoso para os padrões brasileiros.

A rede da Net, uni misto de libra óptica com cabo coaxial dc cobre (aquele que chega à sua casa tanto para TV como para internet a cabo) está preparada para velocidades de até 300 Mbps. "F só trocar o protocolo do siste¬ma e alguns equipamentos nas centrais", diz Eduardo Guedes, gerente de produto do Vírtua. O foco da Net é vender tudo em um pacote, englobando TV com gravador digital e canais com conteúdo em HD, telefone e a conexão à internet. Por isso, a operadora também está tes¬tando tini portal de vídeo em alta definição, o Net na Web. Contudo, ao menos por enquanto, os 25 programas do portal são acessíveis apena! a assinantes do pacote Max HD, e os preços são salgados mesmo nos planos convencionais de banda ultralarga . O completo, de 12 Mbps, sai por RS 350 (só o pacote para internet custa R$ 220), preço promocional para o chamado "combo", que envolve TV e plano NET Fone.

Cadê a banda que estava aqui?

Na vida real, por mais ultralarga que seja a banda contratada, há uma série de fatores que podem sabotar a performance da conexão. Um exemplo bem abrangente e corriqueiro é esbarrarem algum gargalo entre sua casa e o site acessado, como um pico de tráfego causado pelo excesso de usuários online em determi¬nado momento. O resultado: dificilmente as taxas de transferências experimentadas serão equivalentes à estampada em seu contrato de prestação de serviços.

Falando nele (já imprimiu o seu, certo?), pode ter certeza de que em algum parágrafo está escri¬to claramente que a companhia tem a obrigação de garantir, no máximo, 10% da velocidade nominal do plano contratado. Por incrível quepareça, se Você estiver desfrutando de constantes 200 Kbps em sua conexão de 2 Mbps, não há do que reclamar: está tudo dentro da lei.

Além disso, a maioria dos planos impõe um limite de download por mês_ Enquanto alguns provedores preferem cobrar os excessos na conta, outras têm urna abordagem mais sutil: impor como "castigo" um corte na velocidade. Usuários de programas de compartilhamento de arquivos têm sido as vítimas preferenciais do traffic shaping ou prioridade de tráfego, método adotado por alguns (mas negado por todos) pro-vedores para desestimular essa atividade.

A ferramenta Glasnost (http://snipurl.com/ guer0) permite testar seu provedor para ver se ele faz isso. Por enquanto, ele só confere o sistema de compartilhamento de arquivos de torrent, mas com o tempo deve ganhar mais recursos para conferir se outros tipos de tráfego estão sendo barrados.

Como funciona?

A velocidade não é composta apenas por núme¬ros exatos. Como explica Sebastien Lahtinen, do site inglês (que possui um ótimo de teste de velocidade online) Think Broadband (WWW.thinkbroadband.com/speedtest.html) : "A prio¬ridade de tráfego não é simplesmente um limite de velocidade generalizado, mas um modo inte¬ligente de dar preferência ao que é mais impor¬tante. Não importa se demora alguns segundos a mais para baixar um programa, mas faz dife¬rença se os seus telefonemas pela internet forem cortados... isso ocorre principalmente nas redes ponto a ponto, que consomem uma quantidade significativa de banda".

Certifique-se de que seu roteador esteja apro¬priadamente configurado nas páginas de ajuda de seu provedor. Como Lahtinen recomenda: "Às vezes, você pode ser pego desprevenido anos depois de instalar o serviço porque o pro-vedor atualizou certas configurações que com-binam menos com seu roteador". Roteadores diferentes também podem propiciar resultados diferentes. "Muitas vezes, equipamentos fornecidos pelos provedores são os que funcionam melhor com aquele serviço", concluiu.

Lembre-se de que, com a banda larga, existem duas razões principais para que a conexão esteja lenta.

Antes de apontar o dedo para o provedor, dê uma olhada no cabeamento residencial. "Se houver extensões telefônicas, tente desconectá-las da tomada principal e ligar seu roteador diretamente a ela, sem telefone algum", recomenda Lahtinen. "Se o problema desaparecer, quer dizer que ele está em algum lugar nade casa".

Se não der certo, converse com seu provedor. "Eles podem fazer alguns testes em sua linha e detectar possíveis problemas", explica Lahtinen. "Uma mudança de provedor de ADSL só costuma funcionar se o problema for do próprio provedor, e não do par de fios que liga a central telefônica ao seu computador. Dito isso, certos provedores se esforçam mais do que outros para resolver seu problema".

Tudo pela tomada

AES Eletropaulo testa em SP banda larga via rede elétrica. Fomos lá checar

Demorou, mas um novo meio de fornecimento de internet banda larga está chegando ao Brasil. A promessa é que ainda este ano será possível acessar a rede por meio de modens plugados em tomadas elétricas. Quem está implantando o sistema, conhecido como BPL (Broadband over Power Lines), é a AES Eletropaulo. Inicialmente, o serviço será oferecido na cidade de São Paulo, mas a perspectiva é que chegue em outras cidades a partir de 2010.

Testamos o BPL em uma instalação de demonstração da AES e confirmamos sua velocidade e facilidade de uso. A instalação é idêntica a de uma internet a cabo e os modems são vinculados ao MAC address do equipamento conectado, seja ele um computador ou um roteador Wi-Fi. Você pode colocar quantos modems quiser no seu apartamento, pois todas as tomadas viram um ponto de acesso à internet. Aparelhos elétricos não causam interferência na rede, mas fontes de força (de laptops ou outros equipamentos), sim.

Os preços da internet via rede elétrica ainda não foram definidos, nem a data exata do lançamento. Mas bem provavelmente seguirão os mesmos valores praticados pelos provedores a cabo e ADSL tradicionais.

Vale mesmo a pena?

Para começo de conversa, nenhum dos serviços testados transforma a navegação na internet em algo mágico. Após alguns downloads e acessos a sites de streaming em alta qualidade, o veredicto é simples: a internet de altíssima velocidade não vale a pena se você for um usu¬ário "normal" – aquele cujas prioridades são apenas navegar na internet, ler emails, baixar ou ver um vídeo no YouTube ou urna música de vez em quando.

Com preços ainda salgados, a grande questão é: investir em um pacote de alta velocidade vale a pena? Para variar, a resposta é: depende. Para hard users, que baixam tudo o tempo todo, esses serviços oferecem a possibilidade de realizar downloads simultâneos com boa velocidade, além de permitir assistir a vídeos em alta definição na web e fazer videochamada sem engasgos.

Mas se o seu negócio é apenas checar emails e navegar casualmente pela web, nada vai mudar com a banda ultralarga. O acesso aos sites conti¬nua dependendo do tráfego na rede. Ademais, os populares programas de P2P (troca de arquivos) não dão saltos incríveis de desempenho, mesmo com velocidades acima de 12 Mbps.